nada de nada. tudo de tudo. o som do nada, o grito do tudo.

Monday, July 25, 2005

Desclassifiquemos os Média

Sei que não tive à minha disposição o melhor sistema de ensino do mundo mas retenho com prazer as aulas de Português onde aprendia os vários tipos de linguagem, os seus objectivos e públicos.

Ainda me lembro o que era uma NOTÍCIA. A objectividade e a isenção que exigia. A clareza e a consisão. A ausência de opiniões estranhas à NOTÍCIA. A resposta às perguntas "o quê" "onde" "quando" e "como". A NOTÍCIA datada no tempo, que deixa de ser notícia. A NOTÍCIA com fontes e citações.

É verdade que a NOTÍCIA pode exigir investigação e pode não dar todas as respostas.

Mas o que fizeram hoje da NOTÍCIA devia envergonhar os seus "produtores" e revoltar o País. Se se quer transformar o periúdo noticioso num momento de entertainment ou lançar especulações, insinuações, dúvidas, dar vós a lobbys e a correntes políticas sociais ou outras deve-se chamar os bois pelos nomes. O que se faz não é NOTÍCIA. É opinião, entretenimento, ficção...mas não informação.

E prova que o Poder dos Média é multiplicadoramente perigoso:

porque é controlável por outros poderes;
porque não é controlável pelo Povo;
porque é o veículo dos outros poderes e os condiciona dessa forma;
porque se aproxima vertiginosamente da não ética: a ética do Mercado;
porque a liberdade o torna intocável;

Estou cada vez mais convencido que a resposta aos grandes cruzamentos do nosso tempo passa pelo Conhecimento e pelos Valores. A velocidade a que temos eliminado a ignorância é inferior à velocidade a que nos chegam novas coisas que necessitamos de aprender...somos acomuladores de saber...tal como somos, no reverso, acomuladores de ignorância.

Assim devemos dar tanta credibilidade aos Média como damos a um filme de Hollywood, uma novela brasileira, uma série portuguesa. Devemos entende-los como veiculos de ficção. Ficção baseada, em maior ou menor grau, nos casos reais.

Desclassifiquemos os Média. Baixemo-los de rating e veremos que tudo deixará de parecer tão dramático no momento e muito mais profundo quando desligamos o botão.
Verão que se divertem. Tal como numa ficção procuram o fim da história, aqui procurarão a pulga atrás da orelha, o motivo do alarido, a alavanca da notícia.

Se ficarem a parecer o Mel Gigson na Teoria da Conspiração é porque estão no bom caminho.

Depois de uma conversa tão séria apetece-me concluir num Estilo Independente :

Pois é, por estas três entrevistas na Rua dos Passarinhos na Aldeia dos Prazeres da Virgem, devemos concluir que os portugueses estão fartos, acho que posso falar por todos, do jornalismo de bordel, de orgasmos baratos, de lágrimas de crocodilo, de bocas grandes e de corações mesquinhos.
A crise económica dá-nos cabo das férias e bem sabemos que se o governo não dá nada a ninguém, nem os empresários, nem os trabalhadores, nós jornalistas, fiquem descansados, também não damos as notícias.
É verdade, nós não damos. Nós vendemos. Nós compramos. Nós desacreditamos e acreditamos. Nós criamos. Nós destruimos. Nós fabricamos. Nós fazemos tudo isso por vós portugueses. Porque tendes fome e nós temos comer.
E não se esqueçam eu sou a MMG. Não tenho papas na língua. Só os restos do JEM.

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