A revolta tranquila dos pasteis de nata
Eu tenho um problema insolúvel: sempre que gosto de algo, desejo gostar mais; sempre qua algo me surpreende, desejo ter sido mais surpreendido; sempre que algo é bom, desejo que fosse mais;
Não poucas vezes passo pois por pessimista, intolerante ou radical. Ainda hoje é difícil encontrar alguém que encontre algo de bom na palavra "crítica".
Como tal tive que me moderar. Não. Não me converti. Não. Não me vendi. Não. Não me tornei indiferente.
Agora já só critico aquilo que tem valor indiscutível. Aquilo que pode fazer alguma diferença. Aquilo que tem mérito inquestionável.
O programa "A Revolta dos Pasteis de Nata" tem valor, tem mérito e certamente fará alguma diferença. Sinto que pouca. Porque chega a menos gente do que a que merecia chegar; porque vai ser inteligível para menos pessoas do que aquelas a que chega; porque é menos científico e eficaz do que poderia ser; porque é mais contemplativo do que activo.
Se "A Revolta dos Pasteis de Nata" pretendesse ser um olhar puro sobre um país fétido falharia ora por excesso ora por defeito. A "revolta" é um player do jogo e de certeza aproveita as suas regras. Por outro lado é difícil ser puro sem subir à nascente das águas, ou dos temas ou problemas...
Assim "A Revolta" será sempre uma revolta sentada, de psicólogo que trata o cancro. Será suficientemente forte para dizer "tens cancro" mas não para te curar. Terá muitos admiradores porque se riem; alguns porque se sentem representados; poucos que se sentem mobilizados.
Ainda assim não conheço outra "Revolta" como esta. Parabéns.
http://www.revoltadospasteisdenata.blogspot.com/

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