nada de nada. tudo de tudo. o som do nada, o grito do tudo.

Monday, August 29, 2005

Raio de Luz II

(...) Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
(...)

(Álvaro de Campos - Tabacaria)

Friday, July 29, 2005

Este é o Povo que nunca se engana

Diverte-me, embora por ser masoquista, que que se tenha como verdade que o Povo nunca se engana.

Qualquer político sabe que não há melhor isco que o elogio. Se o elogio for imerecido, ao invés de causar mossa na consciência, ainda se torna mais eficaz.

Também o nosso insuspeito Presidente da Républica acha que o povo tem sempre razão. Como o Povo é mais do que nunca uma construção numérica sem identidade e sem coerência, não pode sequer ser achado como responsável pelos seus actos. O Povo é portanto politicamente inimputável, irresponsável e manobrável.

No limite, se todos estes chavões são verdade, então temos de facto um Povo que se merece e que tem o que merece: a crise que merece, os políticos que merece, os valores que merece e o nível de vida que merece.

Viva! Viva! Viva!

Wednesday, July 27, 2005

Raio de Luz I

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
(...)

(Álvaro de Campos - Tabacaria)

Injectem-se aqui

Para quem ainda sente em cada palavra um valor.
Para quem ainda tem tempo para aprender.
Tem aqui um concentrado bem forte.
Aconselho a todos "Pessoal e Transmissível" na TSF.

Podem ouvir aqui:
(na parte dos arquivos têm entrevistas dos últimos anos)
http://www.tsf.pt/online/radio/index.asp

Prémio "Caçador de Elefantes Brancos"

Vai para Miguel Beleza.

Pela sua cruzada contra aqueles que agora, como ele um dia, têm que puxar a moral de um Povo à custa destes carissímos animais, para que possa continuar a acreditar que a votar o papelinho na urna é que lá vão.

Miguel Beleza brincou que o WWF iria atribuir um prémio a Portugal.

Pois se o critério para ser Elefante Branco é não ser rentável, e acredito que o TGV e a Ota não sejam, será caso para dizer que Portugal é uma Reserva Mundial : Os hospitais não são, as escolas e universidades também não, as pontes, o resto dos edifícios públicos, 600 mil empregados e gestores públicos, políticos, desempregados, prisioneiros....

É caso para pensar:
Se há tanta obra e tanto ser humano que não se paga a si próprio, serão todos os outros pais deles, estão à espera da beatificação, acreditam que o destino os traiu ou estão simplesmente à espera da sua vez?

Acima de tudo haveria que defender-se o Interesse Nacional.
Não o interesse dos empressários de mercearias ou de pedreiros de leste.
Nem o interesse dos políticos da imagem.
Nem o interesse de D. Quixotes com restos do banquete na Pança.
Nem de indivíduos que não fazem as contas a quanto produzem antes de receber o seu ordenado certinho.

O Povo mais esperto do Mundo

Ainda me lembro duma aula de Macroeconomia onde se encontrava algum mérito num povo que praticamente nada produzia e tudo importava.

Se fôr possível continuar a pagar pelos bens e serviços que não somos capazes ou não queremos produzir...até que não seria mau...por esta altura soltávamos umas gargalhadas.

Que fazes? Compro tudo feito!

Que outro país pode dizer mais convictamente isto que Portugal?

Economistas Milagreiros

De vez em quando surgem Manifestos. Congressos. Reuniões magnas. Palestras pomposas. Interesse?
Ornamentalismo? Pavonear carreiras? Provocar vagas de fundo? Queixinhas? Pedir sacrifícios?
Preparar terreno?

Respeito muito a maioria deles. Mas peca-me a inutilidade de muitas das suas acções. E mais grave, a utilização justificativa que pode ser feita delas.

Que o investimento do Estado não faz milagres já a maioria dos portugueses sabe. Até porque alguns já não acreditam em milagres.

O que eu acho dramático é que a iniciativa privada, para além de não fazer os tais milagres, não cumpra o seu papel, investindo de forma estratégica, apostando na competitividade "de valor acrescentado" e na livre e sã concorrência....

Alguns curandeiros, que de muitos anos a exercer ganham o Diploma de Médico e que seguram para si tudo o que são "bons doentes" parece que defendem a mesma terapia para tudo:

Se tens um doente que toma dois medicamentos depois das refeições e estes não fazem o efeito desejado...que fazem? bom o mal está certamente no medicamento...substituem-no.

Mas o problema em Portugal não está nos medicamentos, nas leis e nas metas....
Está no processo de execução terapêutica. Tavêz antes das refeições o medicamento funcione melhor. E se o doente não se esquecesse permanentemente de os tomar. E se não os misturasse com alcool. E se compreendesse que o medicamento é para o seu bem. E se tivesse o apoio da família. E se fosse motivado e visse o seu esforço recompensado....

Em Portugal nenhuma boa lei, nenhum bom princípio, nenhum objectivo valioso...resiste a uma má prática: viciosa, trapaçeira, aproveitadora.

Faziam melhor em olhar no seu dia a dia as acções que violam ou obviam o total sucesso da política económica. Ou aquelas a que fecham os olhos.

José Manuel Barroso e o espetáculo de terror político


Quem sabe, sabe que não há político mais perigoso do que aquele que aprende os métodos da extrema esquerda, quando tem o coração longe da esquerda.

Barroso nunca será um político pelas causas. Nunca será firme nos princípios pois serão sempre os fins a mandar...

É uma mistura camaleónica que se adapta bem em locais hostis. A sua chegada à Presidência foi a vitória da táctica, da desunião e da descrença numa Europa Farol do Mundo.

Seria surpreendente que alguém assim pudesse fazer renascer algo da terra que ajudou a queimar.
Como poderá alguém escolhido por morte súbita de toda a concorrência, ser firme e respeitado?

Como pode uma marionete trocar de papel com o marionetista?

http://www.publico.clix.pt/shownews.asp?id=1229211&idCanal=16

Variações dos Humanos

O Génio estava em António Variações.

O projecto "Humanos" apenas o faz reviver.

Vale a pena ouvir aqui:

http://humanos.sapo.pt/

Monday, July 25, 2005

A Jean Charles


While the sun hangs in the sky and the desert has sand

While the waves crash in the sea and meet the land
While there's a wind and the stars and the rainbow
Till the mountains crumble into the plain
Oh yes we'll keep on tryin'
Tread that fine line
Oh we'll keep on tryin yeah
Just passing our time
While we live according to race, colour or creed
While we rule by blind madness and pure greed
Our lives dictated by tradition, superstition, false religion
Through the aeons, and on and on
Oh yes we'll keep on tryin'
We'll tread that fine line
Oh oh we'll keep on tryin'
Till the end of time
Till the end of time
Through the sorrow all through our splendour
Don't take offence at my innuendo
You can be anything you want to be
Just turn yourself into anything you think that you could ever be
Be free with your tempo be free be free
Surrender your ego be free be free to yourself
Oooh ooh
If there's a God or any kind of justice under the sky
If there's a point if there's a reason to live or die
If there's an answer to the questions we feel bound to ask
Show yourself - destroy our fears - release your mask
Oh yes we'll keep on trying
Hey tread that fine line
Yeah we'll keep on smiling yeah (yeah yeah)
And whatever will be will be
We'll keep on trying
We'll just keep on trying
Till the end of time
Till the end of time
Till the end of time

(Innuendo - Queen)

Pôr Amor na Vida I

Encontrei uma preta
que estava a chorar
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar
Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado
Olhei-a de um lado
do outro e de frente
tinha um ar de gota
muito transparente
Mandei vir os ácidos
as bases e os sais
as drogas usadas
em casos que tais
Ensaiei a frio
experimentei ao lume
de todas as vezes
deu-me o qu'é costume
Nem sinais de negro
nem vestígios de ódio
água (quase tudo)
e cloreto de sódio

(Lágrima de Preta - António Gedeão)

O Erro do Ocidente I

Ontem (20 jul), o Papa encontrou os jornalistas em Les Combes, e disse que o terrorismo é irracional e que no mundo não está em curso um confronto de civilização.

Pois o Papa Ratzinger está duplamente enganado. Como o estão os líderes ocidentais que, como se viu pelos referendos à Europa, se mostram incapazes de perceber sequer os seus povos, tão interessados que estiveram em "guiá-los" e "manobrá-los".

O terrorismo não é irracional. Porquê? Porque tem razões. Tem causas e tem culpados.

Mas ninguem parece interessado com as causas. E porquê?

Porque são mais complexas e menos absolvedoras do Ocidente do que este está disposto a admitir.

Porque é mais fácil e mobilizador o medo e a ignorância.

Porque o medo é uma oportunidade para um real ataque à liberdade individual e uma oportunidade para o Poder se proteger das ameaças que resultam da forma injusta como ele é exercido.

O Terrorismo é um confronto de civilizações sim. Não de civilizações clássicas, mas de Civilizações Económicas e de Valores. É por isso qua a ameaça pode estar em qualquer lado, em cada esquina no Ocidente. Porque os factores propulsores do terrorismo não estão apenas nos paises origem dos terroristas mas essencialmente no Ocidente.

Uma sociedade Árabe poderá aos olhos ocidentais ser extremamente injusta e desigual, mas era culturalmente estável sem "apelos" externos.

O Ocidente ao veicular os valores da concorrência, da Justiça, das igualdade de oportunidades, deveria ter tido o cuidado de actuar com base neles e não de forma hipócrita, explorando os recursos e a força de trabalho interna e externa, de formas elas próprias injustas e desiguais.

Se podemos admitir que o Terrorismo é um fenómeno que congrega vontades muito díspares ele está, quer seja politicamente correcto ou não dize-lo, baseado num sentimento de injustiça e de impotência. O desespero, a ignorância e o ódio estão mais do que nunca mobilizaveis para formas anti-humanas de praticar guerras em que os interesses dos que mandam são diferentes dos que a praticam no terreno.

Eu compreendo a preocupação dos detentores do Poder com a segurança, pois acho que eles já estão cientes que a não mudar a política das potências ocidentais (e nada faz crer nisso) os terroristas deixarão de ser essencialmente árabes para passarem a ser seres de qualquer raça e credo, cuja vida se tornou tão dura ou insignificante, cujo sentimento de injustiça é tão forte (claro que teimaremos em chamar-lhe loucura) que a única forma de darem valor à vida é através da forma como morrem.

A maior trajédia é que quem sofre são pessoas inocentes. Sim. Porque também há pessoas culpadas, quando há uma guerra.

Este mundo faz-me pensar o que andará à frente: se a realidade se a ficção.

No entanto, para o Cristianismo o Terrorismo é ainda mais desmoronador. Como lida uma religião que alicerçou séculos de fé no sacrifício de Jesus Cristo (que dá a vida por nós, estando inocente, para provar o seu Amor) com a banalização do sacrifício da vida?

Neste jogo o Cristianismo perde sempre:

Porque o sacrifício de Jesus Cristo já não é suficientemente mobilizador;

Porque a prática cristã conduziu o mundo à guerra e à injustiça não menos que outras religiões;

Porque a Vida hoje tem acima dela uma Consciência. E essa Consciência pode achar que a Vida é um sacrifício maior que a Morte;

Soares sim Soares não













Mário Soares foi importante para Portugal. Teve as suas vitórias e derrotas políticas. Também tem as suas vitórias e derrotas "de sociedade". Parte do bem e do mal da sociedade de hoje deve-se à sua acção.

Por isso se compreende que tal como o poeta que verbeia contra Deus se converta com o temor da morte, também se percebe que o político tente emendar a mão onde o tempo provou que ficou aquém.

Mário Soares será sempre um animal político. E nunca foi tão socialista quanto é hoje. Mas hoje o Partido não é socialista e muito menos o País. Não nos deixemos enganar pelo voto das urnas. Pois o que conta é a prática política.

Mario Soares nasceu em 1924. Ninguém lhe retira qualquer valor. Mas não deverá um Partido e um Povo produzir e promover novos valores?

Não será ridículo dizer que Mario Soares avançará para mais um sacrifício por Portugal quando é Portugal que sacrifica os seus novos valores, o crescimento de novas gerações de decisores políticos aos critéris de vitória dos partidos políticos?

Não terá chegado ao partido Socialista o exemplo do Professor Sousa Franco?

Por vezes pergunto que mal adicional terá a Monarquia Parlamentar....

Desclassifiquemos os Média

Sei que não tive à minha disposição o melhor sistema de ensino do mundo mas retenho com prazer as aulas de Português onde aprendia os vários tipos de linguagem, os seus objectivos e públicos.

Ainda me lembro o que era uma NOTÍCIA. A objectividade e a isenção que exigia. A clareza e a consisão. A ausência de opiniões estranhas à NOTÍCIA. A resposta às perguntas "o quê" "onde" "quando" e "como". A NOTÍCIA datada no tempo, que deixa de ser notícia. A NOTÍCIA com fontes e citações.

É verdade que a NOTÍCIA pode exigir investigação e pode não dar todas as respostas.

Mas o que fizeram hoje da NOTÍCIA devia envergonhar os seus "produtores" e revoltar o País. Se se quer transformar o periúdo noticioso num momento de entertainment ou lançar especulações, insinuações, dúvidas, dar vós a lobbys e a correntes políticas sociais ou outras deve-se chamar os bois pelos nomes. O que se faz não é NOTÍCIA. É opinião, entretenimento, ficção...mas não informação.

E prova que o Poder dos Média é multiplicadoramente perigoso:

porque é controlável por outros poderes;
porque não é controlável pelo Povo;
porque é o veículo dos outros poderes e os condiciona dessa forma;
porque se aproxima vertiginosamente da não ética: a ética do Mercado;
porque a liberdade o torna intocável;

Estou cada vez mais convencido que a resposta aos grandes cruzamentos do nosso tempo passa pelo Conhecimento e pelos Valores. A velocidade a que temos eliminado a ignorância é inferior à velocidade a que nos chegam novas coisas que necessitamos de aprender...somos acomuladores de saber...tal como somos, no reverso, acomuladores de ignorância.

Assim devemos dar tanta credibilidade aos Média como damos a um filme de Hollywood, uma novela brasileira, uma série portuguesa. Devemos entende-los como veiculos de ficção. Ficção baseada, em maior ou menor grau, nos casos reais.

Desclassifiquemos os Média. Baixemo-los de rating e veremos que tudo deixará de parecer tão dramático no momento e muito mais profundo quando desligamos o botão.
Verão que se divertem. Tal como numa ficção procuram o fim da história, aqui procurarão a pulga atrás da orelha, o motivo do alarido, a alavanca da notícia.

Se ficarem a parecer o Mel Gigson na Teoria da Conspiração é porque estão no bom caminho.

Depois de uma conversa tão séria apetece-me concluir num Estilo Independente :

Pois é, por estas três entrevistas na Rua dos Passarinhos na Aldeia dos Prazeres da Virgem, devemos concluir que os portugueses estão fartos, acho que posso falar por todos, do jornalismo de bordel, de orgasmos baratos, de lágrimas de crocodilo, de bocas grandes e de corações mesquinhos.
A crise económica dá-nos cabo das férias e bem sabemos que se o governo não dá nada a ninguém, nem os empresários, nem os trabalhadores, nós jornalistas, fiquem descansados, também não damos as notícias.
É verdade, nós não damos. Nós vendemos. Nós compramos. Nós desacreditamos e acreditamos. Nós criamos. Nós destruimos. Nós fabricamos. Nós fazemos tudo isso por vós portugueses. Porque tendes fome e nós temos comer.
E não se esqueçam eu sou a MMG. Não tenho papas na língua. Só os restos do JEM.

Os Vampiros da Democracia II

Quando começei a escrever sobre "os Vampiros da Democracia" era apenas para me insurgir contra algumas constatações:

Será Portugal tão pequeno ou tão amputado de qualidades e de vontade de rejuvenescimento, que todos os lugares chave para o País em termos de grandes políticas de desenvolvimento e de capacidades de decisão, sejam permanentemente de forma rotativa e clientelar ocupados pelas mesmas "mentes brilhantes" e "grandes figuras"?

Será o povo português tão míope que não perceba que se nos empregos abertos a concorrência e eficientes, devem produzir de forma a remunerar o seu trabalho e os outros factores produtivos, tambem todos os outros empregos "borlas" devem ser chamados a prestar contas?
Que não tem que ficar agradecidos por o presidente da camara fazer o saneamento, o médico operar, o advogado defender, o professor ensinar?
É essa a sua tarefa como é a do pedreiro levantar paredes...e devem-no fazer com profissionalismo e com eficiência.
Tornou-se tão comum não trabalhar em alguns empregos que passámos a premiar quem o faz por tão estranho o acharmos...

Será que alguem conseguirá ensinar os média a deixar de trabalhar com valores absolutos e usar valores relativos e a respeitar a condição "ceteris paribus"?

Será que alguem está interessado em regular os média, de forma a que sempre que promovam "lavagens cerebrais" e sejam veículos de lobbys surja no canto superior a palavra "ficção"?

Os Vampiros da Democracia I

É verdade. Nasci depois do 25 de Abril. Mas estudei a lição. Livros. Entrevistas. Debates. Opiniões.

E a verdade é que me sinto enganado. Como muito bom português se sentiria se parasse para pensar num intervalo nas compras ou na conversa sobre futebol ou sobre o quanto sofre com a crise.

Olho para trás e vejo que "eles" substituiram um regime que não os servia por um de que se servem. Olho e vejo uma oportunidade perdida, um fracasso social que nos levará à extinção como Nação.

Não me orgulho do País que criaram e controlam : não me alivia que tendo liberdade para falar, tal de nada me sirva. Porque o valor não está mais em poder falar mas em ser ouvido e respeitado.

Não me orgulha poder concorrer a um emprego se já sei que há partida esse emprego não será provido com base no mérito, competência e empenhamento, pois o que a democracia faz é criar uma capa de legitimidade para as mesmas acções do Poder.

Não me orgulha viver num País onde sabemos o que está mal, onde até sabemos como fazer, mas onde elegemos precisamente aqueles que nada pretendem alterar.

Não me orgulha saber que os pais e padrastos da Democracia portuguesa não são democratas sequer com os seus jovens, limitando-lhes as oportunidades, hipotecando-lhes o nível de vida futura e tratando-os como pessoas fora do sistema que nada lhe trazem de útil a não ser que se convertam aos vícios que os alimentam...

Claro que fazem o papel de santos, dizendo que os jovens se abstêm. Pois claro que se abstêm. Ou o fazem voluntariamente para terem direito à sua parte da refeição...ou se abstêm involuntariamente falando para um microfone sem som. Nem sei se ainda existem os segundos.

Os vírus são inteligentes. Porque aprendem. Porque se adaptam. É isso que o regime político faz : evolui, adapta-se. Mas o Pão e o Circo não desapareceram, apenas mudaram de roupas; a ignorância existe mas parece apenas desinteresse; os leões esses continuam insaciáveis mas sorriem; os outros figurantes sabeis onde andam...

É por isso que não serei ingénuo com o 25 de Abril como não o serei com o dia de hoje. É por isso que não preciso de ter vivido mais do que o que já vivi para sentir que os Vampiros do Zeca são imortais: no Império Romano, na Idade Média, no Estado Novo, na Democracia.

Porque os Vampiros estão em nós e no meio de nós.

Porque são ao mesmo tempo odiosos e fascinantes.

Porque são humanos.

No céu cinzento
Sob o astro mudo
Batendo as asas
Pela noite calada
Vem em bandos
Com pés veludo
Chupar o sangue
Fresco da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
A toda a parte
Chegam os vampiros
Poisam nos prédios
Poisam nas calçadas
Trazem no ventre
Despojos antigos
Mas nada os prende
Às vidas acabadas
São os mordomos
Do universo todo
Senhores à força
Mandadores sem lei
Enchem as tulhas
Bebem vinho novo
Dançam a ronda
No pinhal do rei
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
No chão do medo
Tombam os vencidos
Ouvem-se os gritos
Na noite abafada
Jazem nos fossos
Vítimas dum credo
E não se esgota
O sangue da manada
Se alguém se engana
Com seu ar sisudo
E lhes franqueia
As portas à chegada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada
Eles comem tudo
Eles comem tudo
Eles comem tudo
E não deixam nada


(Vampiros - Zeca Afonso)

A revolta tranquila dos pasteis de nata

Eu tenho um problema insolúvel: sempre que gosto de algo, desejo gostar mais; sempre qua algo me surpreende, desejo ter sido mais surpreendido; sempre que algo é bom, desejo que fosse mais;

Não poucas vezes passo pois por pessimista, intolerante ou radical. Ainda hoje é difícil encontrar alguém que encontre algo de bom na palavra "crítica".

Como tal tive que me moderar. Não. Não me converti. Não. Não me vendi. Não. Não me tornei indiferente.

Agora já só critico aquilo que tem valor indiscutível. Aquilo que pode fazer alguma diferença. Aquilo que tem mérito inquestionável.

O programa "A Revolta dos Pasteis de Nata" tem valor, tem mérito e certamente fará alguma diferença. Sinto que pouca. Porque chega a menos gente do que a que merecia chegar; porque vai ser inteligível para menos pessoas do que aquelas a que chega; porque é menos científico e eficaz do que poderia ser; porque é mais contemplativo do que activo.

Se "A Revolta dos Pasteis de Nata" pretendesse ser um olhar puro sobre um país fétido falharia ora por excesso ora por defeito. A "revolta" é um player do jogo e de certeza aproveita as suas regras. Por outro lado é difícil ser puro sem subir à nascente das águas, ou dos temas ou problemas...

Assim "A Revolta" será sempre uma revolta sentada, de psicólogo que trata o cancro. Será suficientemente forte para dizer "tens cancro" mas não para te curar. Terá muitos admiradores porque se riem; alguns porque se sentem representados; poucos que se sentem mobilizados.

Ainda assim não conheço outra "Revolta" como esta. Parabéns.

http://www.revoltadospasteisdenata.blogspot.com/

Friday, July 22, 2005

Oposição a Portugal

Dizia a sabedoria popular que andava meio mundo a enganar o outro meio. Portugal cultivou uma cambiante ainda mais dramática:

Sempre que existe um Governo, uma direcção, um trabalhador, uma organização ou indivíduo que se propõe fazer algo surge de imediato alguem a tudo fazer para que não possa atingir os seus intentos.

E não, não é porque as medidas ou intenções sejam más, porque pudesse fazer melhor, porque existam boas alternativas....

É apenas para esfolar.
Porque quanto pior os outros estiverem, melhor estaremos nós.
Porque não há metas nacionais, nem sociais.
Há apenas interesses baixos, jogadas de esperteza portuguesa e o salve-se quem puder.

A Oposição na Democracia, em Portugal, é históricamente uma Oposição que lesa o País para o poder amarfanhar, cada vêz mais débil e subalterno. Mas enquanto der para chupar os ossos, far-se-á tudo para que Governos, direcções, enfim tudo o que o português ache que está no seu caminho....caia, fracasse, desista.

Cá se fazem, cá se pagam. E não passamos deste círculo vicioso onde a última coisa que interessa é o futuro de Portugal e dos Portugueses.

Como a Oposição de hoje é Governo amanhã não será abusivo afirmar que as Oposições e Governos se merecem...

E nós merecemos?

Ao Dr. Marques Mendes e à generalidade dos políticos que se pretendem moralistas pergunto:

Porque quererão putas passar-se por virgens?

É que se é hábito dizer que à mulher de César não basta sê-lo é preciso parecer-lo, também se diz que o hábito não faz o monge e bem sabemos que cada cabeça sua sentença.

Logo a minha conclusão é a seguinte:

Os políticos defendem medidas de moralidade porque sabem-se em inferioridade moral e sabem mais....sabem que para casarem com o povo português, de grande moralidade verbal e quando toca ao outro, terão de facto que lhes mentir até que o contracto seja assinado.

E está mais que visto que não é muito difícil.

O Povo Português não pode ver um político de saias....fica logo a babar-se...

Thursday, July 21, 2005

Portugal, The Yellow Submarine

Com tudo o que se passa neste Portugal de fábula não consigo de parar de associar este rectângulo estéril de vontade ao Yellow Submarine dos Beatles.

A geografia do País, acostado na Europa, a ainda recente febre submarínica, o grande apelo pelo subterrâneo e pela simulação de valores, para além de uma mentalidade amarela pálida que de Verão se torna a cor de Inferno com que se persiste em mutilar o futuro, eis Portugal, The Yellow Submarine.

Que fique a letra, mas que se ouça na música o ritmo que nada neste submarino habitado mas pouco habilitado....
e se não "falta cumprir Portugal" o que faltará?

In the town where I was born
Lived a man who sailed to sea
And he told us of his lifeIn the land of submarines
So we sailed up to the sun
Till we found the sea of green
And we lived beneath the waves
In our yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
And our friends are all on board
Many more of them live next door
And the band begins to play
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
As we live a life of ease
Everyone of us has all we need
Sky of blue and sea of green
In our yellow submarine.
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine
We all live in our yellow submarine,
Yellow submarine, yellow submarine

(The Beatles)

Cansado do Portugalzinho

Portugal é um País de invejosos.
As medidas justas não se cumprem por inveja de quem consegue fugir-lhes. As medidas injustas são cumpridas apenas por quem não as consegue contornar e que odeia quem as faz e quem as contorna. Porque inveja.

Portugal é um País de medíocres.
Porque elegem a mediocridade. Porque admiram a mediocridade. porque cultivam a mediocridade.

Portugal é um País de preconceitosos.
Temos preconceitos até de quem tem preconceitos.

Portugal é um País de putas sabidas.
Ninguém vende tão bem o corpo, o suor e a mente por um lugar, um caminho, uma lambidela.

Portugal é um País de espertos.
Todos sabem tudo. Todos falam de tudo. Todos faziam tudo. Mas quando chega a hora da verdade todos vão falar com alguém para lhes fazer qualquer coisa. Quando a migalha lhes chega acaba o piadoiro e começa a melodia.

Portugal é um País de bananas.
Que outro povo, talvês o americano, seria encornado a cada segundo que passa: em cada Eleição, em cada Concurso Público, em cada Repartição, em cada Estudo, em cada Noticiário e ainda assim se porta como galinhas a quem se lhes dá milho para a engorda disputando o alimento umas às outras? Também a galinha se agacha quando vai ser "usada" e se põe em luta pelas penas da colega....

É por isso que mesmo sem conhecer o Ex- Ministro das Finanças Campos e Cunha lhe presto homenagem. Que não é maior porque fracassou.
Mas não fracassa por ele, fracassa pelo País dos anteriores parágrafos.
Pelos mesmos hipócritas que lhe fizeram guerra e que agora dizem que a sua saída é um rude golpe para o Governo e para o País. Pois olhem para as suas mãos. Pelos que não querem perder privilégios injustos mas hão-de ver perder o País com os seus filhos lá dentro. Pelos que defendem um mundo que não existe em vez de agir para melhorar este que vamos tendo...

Qualquer banana português percebia que este homem não sabia nem estava preparado para nadar nestas águas. Lá no fundo até teria pena dele. Daí que perante a fraqueza o Portugês seja forte a atacar...

Quando o começaram a cercar eu disse simplesmente:
o que ele deveria fazer era dizer a bom som, eu sei que este é o caminho, muitos de vós sabem-no e não o defendem por meras estratégias pessoais, lobbysticas e partidárias, colocando em causa o interesse do País. Pois fiquem com este País ingovernável, chupem-lhe as entranhas, transformem-no num Nada, pois terão o que merecem. Adeus!

Não foi uma saída tão dramática.
Não tocou as consciências.
Mas não se iludam.
O efeito final é o mesmo.

Se digo o que digo, é porque amo Portugal

O Homem monstro do Homem

Quem dá ao Homem o direito de desrespeitar a Vida?

Wednesday, July 20, 2005

Na Terra como em Marte

Por vezes parece que este é o mundo em que vivo.
Árido. Muito árido.
Estéril. Muito estéril.
Cheio de conversas doces estéreis.
Cheio de enganos sempre virgens e de pessoas sempre putas.
Em que a liberdade manda como fazer e a carteira diz se podemos ou não.
Em que as palavras pesam o engodo que escondem e não a verdade que nelas pomos.
Onde não há o bem e o mal, há o melhor para nós.
Pergunto pois aos pais desta ditadura da cigarra que seria de vós se não existissem os outros?
Que seria de nós se todas as formigas fossem cigarras?
Se todas as cigarras morressem de vergonha?
Mas não.
Haverá sempre na ignorância e na inveja o alimento para Vós.
Que sois grandes. Que sois conhecidos. Que sois bons.

the beginning

Imagine there's no heaven,
It's easy if you try,
No hell below us,
Above us only sky,
Imagine all the peopleliving for today...
Imagine there's no countries,

It isnt hard to do,
Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the peopleliving life in peace...
Imagine no possesions,

I wonder if you can,
No need for greed or hunger,
A brotherhood of man,
imagine all the people
Sharing all the world...
You may say I'm a dreamer,

but I'm not the only one,
I hope some day you'll join us,
And the world will live as one

(Jonh Lennon - Imagine)